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O artista é obcecado pelo acúmulo e inventário de objetos carregados de história e costuma trabalhar com o que chama de “transplante de superfícies”. Em {[( )]}, caixas de diversas épocas e procedências formam um livro livre.

Thiago Honório [Carmo do Paranaíba, MG, 1979] vive e trabalha em São Paulo. Representado pela galeria Luisa Strina. Individuais recentes: Solo, Luisa Strina [São Paulo, 2017]; Trabalho, MASP [São Paulo, 2016]; Títulos, Paço das artes [São Paulo, 2015]. Participou da Frestras, Trienal de Artes de Sorocaba, SP.

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O mais profundo é a pele.[1]
Paul Valéry

“Uma ênfase na noção de superfície, partindo da célebre frase de Paul Valéry (1871-1945), bem como uma reunião de temporalidades distintas, são ideias caras à produção de Thiago Honório e que podem ser percebidas em trabalhos do artista como Documents[2] (2012), Prêt-à-porter[3] (2013) ou Penca[4] (2014), por exemplo. Nota-se, claramente, os procedimentos de coleção, apropriação, corte, montagem, seriação, edição, triagem e montagem nesses trabalhos a despeito de diferentes linguagens. Tais noções também podem ser compreendidas no conjunto da produção do artista como elementos recorrentes nela, apresentando-se deste ou daquele modo, neste ou naquele trabalho, adquirindo esta ou aquela fisionomia, por assim dizer, não abrindo mão de um livre trânsito entre as linguagens.
{[( )]} – entre chaves, colchetes e parênteses – não deixa de acentuar um trânsito entre dentro e fora, entre aquilo que se guarda ou se perde para sempre. O arranjo também pode ser entendido como uma “pintura” revelada pela variedade de cores e de superfícies que revestem o interior e o exterior desses estojos, caixas e mostruários. São superfícies diversas: papel, madeira, metal, couro, camurça, cetim, linho, veludo e seda de variadas estampas e cores: azuis, violetas, púrpuras, laranjas, verdes, entre outras.
O livro-obra {[( )]} apresenta, então, a partir de suas dobras e vincos, uma espécie de jogo de alternâncias e contrastes sucessivos entre superfícies gastas e novas, que também revelam, pelas suas cavidades, baixos-­relevos e reentrâncias, um vazio: ausência do objeto. Este projeto pode ser compreendido, ainda, como um desdobramento, no sentido mais estrito do termo, de trabalhos anteriormente realizados pelo artista.
Como se sabe, há muito o livro tomado como lócus de produção de uma outra experiência espaço-temporal tem sido explorado por diversos artistas. O livro-obra {[( )]} retomará essas questões a partir de uma reunião de temporalidades distintas – um mostruário vazio de 1840, por exemplo, convivendo ao lado de outro de 2015 – que ele traz em seu corpo, convocando-as a um debate.”

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1 VALÉRY, Paul. Variedades. São Paulo: Iluminuras, 1991.
2 Documents, 2012Conjunto de objetos cortantes dos séculos XVIII, XIX, XX e XXI adquiridos em vide-greniers (“vendas de garagem”), brocantes(“feiras de quinquilharias e de antiguidades”) e marchés aux puces(“mercados de pulgas”) de diversos bairros periféricos e centrais de Paris, cabos de aço, tampos de mesa e cavaletes de madeira; 6,30 m x 82,0 cm. Folheto impresso sanfonado disponível ao público, contendo a ilustração esquemática desses objetos associada aos nomes dos locais, das vide-greniers (“vendas de garagem”), brocantes (“feiras de quinquilharias e de antiguidades”) e dos marchés aux puces (“mercados de pulgas”) nos bairros periféricos e centrais de Paris, nos quais eles foram encontrados. Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP.
3 Prêt-­-­porter, 2013. Conjunto de estojos e mostruários vazios de diferentes formatos, dimensões e procedências, dos séculos XIX, XX e XXI, entreabertos e aparafusados uns aos outros rentes as suas linhas de abertura; 8,80m X 0,90m. Apresentado no âmbito da mostra Estranhamente familiar, curadoria de Paulo Miyada, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, no período de 13 de março a 28 de abril de 2013.
4 Penca, 2014. Luvas de látex gastas, atadas umas às outras, usadas por diferentes profissionais em obra. Dimensões variáveis. Apresentado no âmbito da exposição coletiva Piesp 2014, na Casa do Povo, em São Paulo, no período de 11 de outubro e 9 de novembro de 2014.

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Thiago Honório

2016

ISBN 9788567769073
160 páginas
32 x 42 cm
Português
500 exemplares numerados
R$ 350,00