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A artista atua em entrelinhas da literatura, do texto. Trabalha com a palavra e o tempo. No Dicionário, os verbetes escritos por Rodrigo Moura, Ana Martins Marques, Gonçalo M Tavares e Fabio Morais, correspondem a temas que orbitam a produção da artista.

Marilá Dardot [Belo Horizonte, MG, 1973] vive e trabalha em Lisboa. Representada pelas galerias Filomena Soares, Vermelho. Individuais recentes: Interdito, Galeria Filomena Soares [Lisboa, 2017], Guerra do Tempo, Chácara Lane [São Paulo, 2016]; Diário, Sesc Paladium [Belo Horizonte, 2015]. Participou da Bienal de São Paulo [2010].

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A partir de uma lista de palavras organizada pela artista e pelo curador Rodrigo Moura, cinco pessoas são convidadas a criar verbetes. Ana Martins Marques [poeta], Fabio Morais [artista], Gonçalo M. Tavares [escritor], e Rodrigo Moura [curador] escrevem, cada um a seu modo, o significado de palavras como Fotografia, Biblioteca, Natureza, Silêncio, entre muitas outras.
As palavras inventariadas pertencem ao universo artístico de Marilá Dardot, e passam a ter seus significados ampliados pela soma entre o significado usual, aquele atribuído à relação com o trabalho da artista e, claro, o entendimento de cada autor. Há ainda palavras que são os trabalhos de Marilá, os quais são descritos pela própria artista, sempre em português e inglês. Os verbetes estão em ordem alfabética, independentemente de serem de autores diferentes, da artista ou escritos em inglês ou português. Assim, temos Biblioteca [em português], em seguida biblioteca de Babel, A [em português e inglês] e só na letra L a palavra Library. Dessa forma, a organização rígida, típica de um dicionário é revista nessa obra.
Nas palavras de Rodrigo Moura, que descreve a palavra Dicionário [colocada na capa do livro e não na letra D!]:
“Um dos mais antigos livros catalogados como dicionário pela coleção da Biblio- teca do Congresso, em Washington, é um incunábulo do século 15 chamado Il Libro di Sidrach (65058972), de pouco mais de vinte centímetros de altura e 38 páginas, entre as quais um diagrama do Zodíaco. Trata-se de uma versão italiana de um texto escrito em francês arcaico no nal do século 13. Livro da fonte de todas as ciências, como o texto também é mencionado, reúne conhecimento medieval organizado em um romance filosófico. Filosofia, medicina, astrologia, botânica, religião e moral misturam-se numa narrativa em forma de diálogo. Se essa descrição nos sugere uma fusão de gêneros, ela também arma a ideia de um livro de referência, do qual se pode acessar informação direta e rapidamente, remetendo-nos a tudo e a nada, e nos levando a navegar o mundo pela palavra e seus significados.
Na obra de Marilá Dardot, As palavras estão por toda parte. A ideia desta publicação é ser um dicionário, em versão de bolso, para continuar a lhe atribuir palavras. Os significados e as leituras, porém, de forma alguma são cabais, mas apenas uns entre outros, e fazem parte de uma lista sempre em construção. Um espaço interior, autogerativo e labiríntico, que permite novas configurações e combinações, uma extensão da própria linguagem.
O jogo de dicionário é uma conhecida diversão entre os jovens, em que um dos jogadores copia do dicionário um verbete, dando a conhecer o vocábulo, mas não seu significado, aos demais jogadores. Estes são convidados a criar suas próprias definições, que depois são submetidas, junto à original, ao voto de todos, para que se conheça qual o significado mais verossímil ao grupo, ainda que não necessariamente o verdadeiro.
Pai dos burros, que a todos socorre em busca de conhecimento. Livro das palavras. Livro dos livros.”

Dicionário

Marilá Dardot

2017

série ponto e vírgula

ISBN 9788567769110
128 páginas
15,5 x 23 cm
Português/Inglês
500 exemplares numerados
R$ 60,00