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Artista e poeta, sua pesquisa mais recente enfoca a voz como performatividade de gênero através de música, performance, texto e instalações sonoras.  Participou do projeto curatorial Solo Shows, em 2015, concebido pelo curador Tobi Meyer, com a instalação/performance Mastur Bar, que deu origem ao livro.

Fabiana Faleiros [Pelotas, RS, 1980] vive e trabalha em São Paulo. Individuais recentes: Mastur Bar, Solo Shows [São Paulo, 2015]; Museu da Polícia Militar, Fundação Joaquim Nabuco [Recife, PE, 2014].

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“Eu já tive um bar. O Mastur Bar. Para decorar o ambiente, pendurei na parede uns quadros da minha Coleção mãozinha. Era eu obcecada, colecionando imagens de pessoas fazendo coisas com as mãos. Garçonetes, dançarinos de Vogue, mulheres peladas, histéricas, mulheres se masturbando, a Beyoncé e a Dilma. Coloquei do lado dos quadros duas placas de elevador que juntas formavam a frase “serviço social”. Eu gosto da Beyoncé. Mas às vezes ela faz muito a militar e dança com um anel no dedo. Put your hands up! Precisei até mesmo fazer uma aula-show para explicar a minha obsessão e descobrir o que está acontece com as mãos. “Hoje vamos ver como o pulso que cai foi parar na gente. É que a mão está mais pendurada no resto do corpo do que articulada com o braço. Punho é de soco e pulso é de coração. É uma mão inútil, pendurada, cuidado que vai cair.” Comprei uma lanterna igual à da polícia, que pisca e foca numa distância de até dez metros. Segurei a lanterna com uma mão e com a outra fazia sombras na parede, no teto e no chão. Apontava também a luz para os quadros enquanto as pessoas dançavam. Toquei Single Ladies, Masturbar, e uma música da Deise da Injeção. Antes expliquei que “Hoje se fala tocar uma música. Ou foi sempre? Por isso é que estou tão sensível quanto uma tela.” Um microfone retirava a voz do corpo. O outro, de contato, colei no pescoço com uma fita e conectei num pedal que faz efeitos em guitarras. Mas a voz é que ficava sob seus efeitos. Assim é fácil sair do corpo. É claro que eu também tinha três vibradores. Tudo servia para o corpo vibrar. Eu tinha três coisas na mão, eu acho. É claro que me senti com três paus e apontava a luz com eles. E tocava na tela sensível do celular dando play na trilha sonora da aula-show sobre os gestos que fixam o gênero no sexo. “A mão que não toca o próprio corpo é substituída pela mão do médico, gente, que por sua vez é substituída pela loucura e pelo trabalho, pelo smartphone.” Além de drinks, wi-fi (senha: “masturbar” tudo junto) e bem pouca luz, no bar também tinha coisas para as pessoas fazerem com as mãos, técnicas para estabelecer a conexão de si.
Agora vamos analisar essa cadeia hereditária para nos livrar dessa situação precária na história do pulso que cai. É sobre as mãos, bucetas e clitóris de famosas e desconhecidas.”

O pulso que cai

Fabiana Faleiros

2016

ISBN 9788567769066
120 páginas
15,5 x 23 cm
Português
500 exemplares com intervenção da artista na capa
R$ 40,00