O pulso que cai e as tecnologias do toque

O prazer gerado pela mão masturbatória representa um perigo para a reprodução como trabalho sexual. Desde o século XVIII, a mão foi reprimida e disciplinada por uma série de tecnologias médicas, políticas e religiosas. Dentre elas estão o cinto de castidade, a invenção da histeria, o orgasmo como doença, alarmes elétricos e outros aparelhos que afastavam a mão como órgão que toca o próprio corpo. No corpo da mulher, entendido como máquina que re-produz, o clitóris não tem nenhuma função e a mão não deve alcançá-lo. Aqui, o “pulso que cai” é apresentado como um gesto performativo que ocupa o corpo historicamente construído como feminino. É considerado como resíduo que permanece até na mão que vibra, consome e produz através do touchscreen, a tecnologia do toque no capitalismo contemporâneo. Ofereço coisas para se fazer com as mãos e técnicas para estabelecer a conexão de si.

O pulso que cai

Fabiana Faleiros

Ikrek

2016