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A artista usa símbolos e linhas para criar paisagens líricas e narrativas que pairam entre fantasia e realidade, uma metáfora para a odisseia humana. É comum o uso de livros fechados em suas esculturas. Este é o primeiro livro-obra aberto da artista, mas não pode ser lido para emitir som.

Sandra Cinto [Santo André, 1968] vive e trabalha em São Paulo. Representada pelas galerias Casa Triângulo, Tanya Bonakdar. Individuais recentes: Library of Love, Contemporary Arts Center [Cincinnati,EUA, 2017]; Chance and Necessity, USF Contemporary Art Museum [Tampa, 2016]; En Silencio, Matadero [Madri, 2015]; La otra orilla, CAAM [Ilhas Canárias, 2015]. Participou da Bienal de São Paulo [1998]; e da Bienal do Mercosul [1999, 2005, 2015].

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Há dez anos, passeando pelo centro de São Paulo, deparamo-nos, pela primeira vez, com a obra de Sandra Cinto. A escultura em bronze na rua da Quitanda – um banco que vencia o desnível da calçada apoiando-se em livros – levou-nos a buscar outros trabalhos da artista. Para nossa surpresa, os livros estavam quase sempre presentes como elementos escultóricos, sempre fechados ou, como na obra Caixa de silêncio, herméticos.
Em 2013, dois motivos nos levaram a convidar Sandra para a estréia da editora: a relação que possui com o universo do ensino e nossa curiosidade por saber como a artista pensaria um livro aberto. Pedimos então que abrisse seus livros, para que pudéssemos adentrá-los.
O projeto que se apresenta agora é um desdobramento da última série, exposta no Brasil, na Casa Triângulo, com o nome Pausa e, nos Estados Unidos, na Tanya Bonakdar Gallery, sob o título de Piece of Silence. Nesse último conjunto, as obras tomaram uma cor há muito tempo ausente no trabalho de Sandra, e receberam delicados desenhos. 
A intervenção no espaço expositivo aconteceu com a inserção de linhas nas paredes: pentagramas típicos de partituras condensam-se para receber as esculturas, compostas por instrumentos musicais, muitos dos quais apoiados sobre pilhas de livros.
Para a sua Partitura, Sandra trouxe os mesmos elementos: o pentagrama condensa-se à medida que se viram as páginas, pausando o movimento na dupla central da obra, criando um horizonte e os desenhos, que remetem à vibração e às ondas sonoras, percorrem todo o livro e alteram o código desse suporte.
A artista desenha em cada um dos 15 exemplares, impressos em litografia e acondicionados em pastas de tecido, apoiados sobre uma base de madeira desenhada e executada especialmente para a publicação. Assim, cada obra será única, ainda que componham uma edição de 15 exemplares. 
O formato da obra foi inspirado em antigos cadernos de estudos musicais, e a escolha pela litografia ocorreu em virtude da técnica ter sido criada para a impressão de partituras, no final do século XVIII, sendo, posteriormente, amplamente empregada para reproduções.

Partitura

Sandra Cinto

2014

40 páginas
34 x 28 cm
Português
15 exemplares únicos
Pautas em litografia e desenhos feitos em nanquim
A obra está presente nos acervos do MAC USP, Itaú Cultural e MoMA NY.
Preço sob consulta