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O livro traz múltiplas sobreposições de textos extraídos da primeira página de bíblias. As páginas são todas dobradas, permitindo uma leitura combinatória, cuja fruição torna-se um processo infindável.

Edith Derdyk [São Paulo, 1955] vive e trabalha em São Paulo. Representada pela galeria Mezanino. Individuais recentes: Blanco Blanchot Bla Bla, Centro Nacional de las Artes [Mexico DF, 2017]; Dos caminhos que se bifurcam, Galeria Mezanino [São Paulo, 2016].

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Tábula é fruto da pesquisa que a artista Edith Derdyk vem realizando desde 2009, tendo como ponto de partida a leitura da tradução primorosa da Gênese realizada pelo poeta concreto Haroldo de Campos no livro Bere’Shith – A Cena da Origem (Editora Perspectiva, 1993), cuja “transcriação” coloca em perspectiva a natureza imagética da palavra escrita quando em estado poético.
Gênese é uma das primeiras narrativas arcaicas em forma de poesia que trata da mitologia da criação na cultura ocidental, cuja origem remonta às escritas sumerianas que relata o Épico de Gilgamesh. Segundo o poeta Haroldo de Campos, são nessas primeiras narrativas míticas que a palavra surge como cápsula imagética e poética, cuja estrutura da língua é consonantal, muito distante de nossa experiência de “palavra” que é calcada na linguagem fonética: um sistema de sinais para a representação dos sons.
O livro contém cerca de cem imagens resultantes de múltiplas sobreposições de textos extraídos da primeira página de cerca de oitenta bíblias – páginas que contam o “dia um” da criação, objeto de estudo do poeta Haroldo de Campos no livro A Cena da Origem, cuja tradução se baseou na escrita originária – aramaico/hebreu arcaico.
Os livros foram comprados em distintos sebos de São Paulo, edições populares em suas diferentes versões, edições, línguas e formatos. As imagens resultantes tornam os textos quase ilegíveis, problematizando a relação entre o texto originário, escrito em aramaico (seguindo os rastros dos procedimentos de tradução e interpretação adotados por Haroldo de Campos) e o nosso texto fonético ocidental.
As páginas são todas dobradas, permitindo uma leitura combinatória, cuja fruição torna-se um processo infindável, metaforizando as milhares de interpretações que se fizeram ao longo dos séculos sobre esse texto originário, tornando o leitor um co-autor.
A publicação foi realizada em virtude da seleção feita pelo edital ProAc 2014, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. A pesquisa para Tábula é realizada pela artista desde 2009, tendo sido contemplada, em 2011, pelo Centro da Cultura Judaica para o programa de Residência Artística, curado por Benjamin Seroussi, por meio do qual a artista passou seis semanas em Jerusalém buscando referências in loco. Em 2012, a artista residiu por dois meses na Biblioteca José e Guita Mindlin do Centro da Cultura Judaica, construindo toda a base conceitual da obra Tábula, que agora se concretiza por meio desta edição, em conjunto com a Ikrek Edições.

Tábula

Edith Derdyk

2015

104 páginas
18 x 22,5 cm
Português
50 exemplares numerados e assinados
Esgotado