Reedição de livro de artista mostra casa de Lygia Clark, Hélio Oiticica e John Cage

Regina Vater fotografou mais de sessenta casas nos anos 1970 para fazer X-Range

““Acredito que, na escolha dos objetos domésticos e no modo como estes são distribuídos nos espaços privados, as pessoas se projetam e revelam suas condições culturais, sociais e psicológicas. O que me interessa é essa poesia cotidiana que o ser humano imprime ao seu entorno através de seus gestos; uma exposição de seu modo de ser e viver” afirmou Regina Vater sobre as mais de sessenta casas que ela documentou durante anos.
O resultado foi editado e publicado na forma de livro-poema em 1977 pela Galería Artemúltiple, em Buenos Aires, Argentina. Entre as tantos lares, apenas os mais especiais foram selecionados para aparecer no álbum X-Range – as dos também artistas Lygia Clark, Hélio Oiticica, John Cage e Vito Acconci – e cada uma ganhou um poema feito com a impressão de partes do corpo de Regina e intervenções manuais como rasgos, dobras ou pedaços de papel colados com fita adesiva.

Eram apenas 30 precisos exemplares e somente um “sobreviveu” com a artista. A boa nova? Exatos 40 anos o álbum acaba de ser reeditado pela Ikrek Edições. Curiosidade: o poema visual dedicado a Hélio Oiticica possui uma espécie “ninho” com a impressão do corpo de Regina que foi rasgado à mão e colado sobre a lâmina do poema pela artista em 1977. Agora o editor Pedro Vieira repete a ação e rasgando os “ninhos” dos novos 1500 exemplares!

“Procurei registrar, de maneira poética, como um indivíduo ou grupos de indivíduos lidam com o espaço doméstico. Com X-Range, assim como em outros trabalhos meus, tento encontrar a presença na ausência”, explica a artista.  “Apesar de serem registros provisórios, os rastros do ser humano também são duráveis, como sua própria existência (de tudo resta um pouco). Nada melhor que a casa de um indivíduo para conter as marcas de sua existência. Pois essa casa/ninho em que vive torna-se um cosmos em miniatura e faz transbordar o ego”, continua.

Em tempo: a artista ganhou uma retrospectiva no MAC de Niterói curada por Pablo León de La Barra e Raphael Fonseca. Oxalá que dê bom tempo reúne 70 obras, entre instalações, desenhos, séries fotográficas e vídeos que também lidam com a intimidade doméstica, mas também traz temas como o corpo, a mulher, a natureza e a transcendência
Não deixe de conferir a performance fotográfica Tina América e a fotografia Comigo ninguém pode. A planta funciona como um avatar do povo brasileiro. Se corta, ela renasce. Não precisa de muito cuidado. Ela se regenera, assim como o povo brasileiro”, diz.”

X-Range/ Regina Vater/ Casa Vogue/ Reedição de livro de artista/ Beta Germano

2017