A mulher mutante

Na afirmação do corpo, obra pioneira de Regina Vater engaja-se em debate renovado sobre o feminismo

“[…]À boa onda de resgates junta-se a primeira apresentação, em 35 anos, da videoinstalação Vide o Dolorido (1983), com imagens gravadas na comunidade do Cantagalo, no Rio, e também a reedição do livro de artista X-Range, pela Ikrek. Publicado originalmente, em 1977, pela Galeria Artemúltiple, de Buenos Aires, o livro é composto de fotografias do ambiente doméstico de artistas como Hélio Oiticica, John Cage, Lygia Clark e VitoAcconci. “Nada melhor que a casa de um indivíduo para conter as marcas de sua existência, pois essa casa/ninho em que ele vive torna-se um cosmo em miniatura”, escreveu a artista em 1977.

X-Range seria a semente de um novo corpo de obras, voltado para a afetividade, as relações humanas e o meio ambiente. Uma dimensão delicadamente explorada na série fotográfica Comigo Ninguém Pode (1981), em que a planta que, segundo a artista, “funciona como um avatar do povo brasileiro – se corta, ela renasce” – é documentada como a guardiã das portas das casas da zona norte à zona sul, do Rio de Janeiro a São Paulo.”

X-Range/ Regina Vater/ revista Select/ A mulher mutante/ Paula Alzugaray

2017