Dupla central

vários artistas

2016-2017

Ikrek + A Recreativa
2016-2018
36 páginas
15,5 x 23 cm

R$720,00

5 em estoque

Vários artistas

Em parceria com a revista de palavras cruzadas e passatempos A Recreativa, a mais antiga do país, há mais de 60 anos no mercado e distribuída no Brasil inteiro, Ikrek iniciou um novo projeto de arte impressa: a ocupação da dupla central da revista por um artista contemporâneo. O intuito desse projeto é que seja criada uma intervenção artística num meio impresso que não circula propriamente no universo das artes visuais, mas que toma a palavra [e seus múltiplos desdobramentos, inclusive imagético] como forma de expressão. Não se trata de um print especial, ou encarte numerado. A obra usa o mesmo papel, impressão e acabamento da revista, misturando-se a ela. Já participaram do projeto:

Adriana Aranha, Alice Ricci, Ana Luiza Dias Batista, Anna Bella Geiger, Arnaldo Antunes, Carmela Gross, Cildo Meireles, Clara Ianni, Fabio Morais, Gustavo von Ha, Jorge Menna Barreto, Lenora de Barros, Marilá Dardot, Nazareno, Nino Cais, Pedro Vieira, Regina Silveira, Ricardo Basbaum, Rochelle Costi, Thiago Honório, e Traplev.

Finalizado o projeto, convidamos a crítica, pesquisadora e curadora Ana Maria Maia para escrever um ensaio para o encarte que acompanha a caixa com o conjunto das obras, lançada em 2019. Em 2020, iniciamos a itinerância da exposição, que começa pela Biblioteca Mário de Andrade.

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Enigmas da arte, enigmas para a arte

Por Ana Maria Maia

Em uma revista de enigmas, apenas um permanece sem solução dada. Encontra-se sempre nas páginas que ocupam a dupla central do caderno, naquele ponto em que a narrativa prévia já convidou à interação, e o leitor – acumuladas conquistas e estratégias – sente-se senhor das cruzadas porvir. Mas o que esse percurso garante diante da imagem de um tufo de cabelos, ou de um mapa desconstruído e incompleto, ou ainda de uma poesia visual feita com onomatopeias? O que fazer, caro jogador, quando súbita e desavisadamente, mudam as regras e metas da partida? 

Nas vinte e duas edições de A Recreativa em que esse fenômeno ocorreu, as charadas foram outras: prolongar a dúvida, desconstruir paradigmas, imaginar, gastar tempo sem as habituais recompensas. Cada uma a sua maneira, as inserções de artistas, reunidas entre 2016 e 2018 pelo projeto Dupla Central na tradicional revista, experimentaram lugares e interfaces possíveis para a arte.

Estar na mídia pode ser comparado a estar na rua. Os artistas perdem os aparatos de visibilidade e relevância que as galerias e museus costumam lhes garantir. Em contraparte, ganham oportunidades de adesão ao cotidiano de muito mais pessoas, não apenas especialistas e interessados no assunto. Para isso, evidentemente, é preciso empenho de conquista, pois, na imprensa, assim como na rua, no processo de construção de um imaginário público, toda sorte de enunciado se sobrepõe e concorre. 

Justamente por se pretender público, esse tipo de trabalho aguça o caráter dialógico da arte, carregado em igual medida de promessas e desafios. Desde a década de 1970, Paulo Bruscky propaga em anúncios classificados e postais que “Hoje, a arte é esse comunicado!”. 

Assinada e autorreferente, a sentença chama atenção para uma mensagem e seu remetente. Sobre os potenciais destinatários e seus gestos de recepção, no entanto, consegue apenas intuir. De forma semelhante, no projeto Dupla Central, talvez nunca saberemos como as páginas foram acessadas, se foram notadas, comentadas, rechaçadas, colecionadas…

Como garrafas lançadas ao mar, intervenções midiáticas e multimeios ampliam o espectro do desconhecido para os artistas e o circuito da cultura. Em consequência, pedem esforços de escuta e aprendizado ainda incomuns, embora tão necessários. Os enigmas entre a arte e os públicos são, portanto, recíprocos. Ao que parece, o único jeito de abraçá-los tendo em vista uma política de alteridades é, como em Ato, de Adriana Aranha, publicado na revista de maio de 2017, “jogar-se pelo jogo em si”, pelo prazer de si e do outro de jogar. 

Vários artistas

For 22 months, between 2016 and 2018, Ikrek invited artists to occupy the pages of the central duo of the crossword magazine A Recreativa, which circulates monthly throughout Brazil. Artists participated in the project:
Adriana Aranha, Alice Ricci, Ana Luiza Dias Batista, Anna Bella Geiger, Arnaldo Antunes, Carmela Gross, Cildo Meireles, Clara Ianni, Fabio Morais, Gustavo von Ha, Jorge Menna Barreto, Lenora de Barros, Marilá Dardot, Nazareno, Nino Cais, Pedro Vieira, Regina Silveira, Ricardo Basbaum, Rochelle Costi, Thiago Honório, e Traplev.

Once the project is finished, we invited critic, researcher and curator Ana Maria Maia to write an essay for the booklet that accompanies the box with the set of works, launched in 2019. In 2020, we started the exhibition’s itinerancy, which begins at the Mário de Andrade Library.

 

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PUZZLES OF AND FOR ART

By Ana Maria Maia

In a magazine of puzzles, only one remains without a given solution. It is always found on the pages that occupy the publication’s center spread, at that point where the previous narrative has already invited the reader to interaction, and after having racked up a number of strategies and successes the reader feels confident that he or she can máster the puzzles that are to come. But how can one have any such assurance when faced with an image of locks of hair, or a deconstructed and incomplete map, or a visual poem made with onomatopoeias? What is the player to do when the roles and goals of the game are suddenly and unexpectedly changed?

In the twenty-two issues of the magazine where this phenomenon occurred, various riddles were posed with a different aim: to prolong the doubt, to deconstruct paradigms, to imagine, to spend time without the normal rewards. Each in its own way, insertions by artists between 2016 and 2018 in the Dupla Central [Center Spread] Project experimented with possible places and interfaces for art.

Being in the media can be compared to being in the street. The artists lose the

apparatuses of visibility and relevance they normally obtain from galleries and museums. In recompense, they gain opportunities for becoming part of the day-to-day life of many more people, not only specialists and those interested in the subject. A great deal of effort is evidently needed for this, because in the press, as in the street, in the process of constructing a public mindset, all sorts of announcements are intermingled and compete with one another.

Precisely for aiming to be public, this sort of work sharpens the dialogic character of art, charged in equal amounts with promises and challenges. Since the 1970s, Paulo Bruscky has published classified newspaper ads and sent out mailed advertising stating that, “Hoje, a arte é esse comunicado!” [Today, art is this communication!]. Signed and referring reflexively to itself, the sentence calls attention to a message and its sender. About the potential addressees and their gestures of reception, however, one can only guess. Likewise, in the Dupla Central project, we will perhaps never know how the pages were accessed, noted, commented on, rejected, collected…

Like bottles thrown into the sea, mediatic and multimedia interventions

enlarge the spectrum of the unknown for the artists and the cultural circuit. As a consequence, they require still uncommon but very necessary efforts of listening and learning. The puzzles between art and the publics are, therefore, reciprocal. It appears that the only way to embrace them in light of a politics of alterities is according to the

statement highlighted in Ato [Act], by Adriana Aranha, published in the 2017 May issue: “jogar-se pelo jogo em si” [one plays for the game itself], engaging for the sake of one’s own pleasure and that of the other in the game.

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